2025… Aí vou eu.

O que será que será de todos esses 325 dias restantes ?

Foi num dia dez de Fevereiro como esse, lá nos confins de 1258, que Bagdá foi conquistada pelos Mongóis e ali começava a grande caminhada trágica do Islã e o fim do Renascimento Islâmico, da sua Era de Ouro.

Pois bem… Caminhando e pisando um pouco na areia do deserto do real desses tempos, fica sempre a dúvida se de novo os ventos serão um pouco adocicados ou — como sempre —  será um rancoroso lixiviar dos meus mistérios, como se eu fosse uma mera cina no meio dessa sina planejada por um algum ardiloso supremo Deus Abramico.

A verdade é que o cinismo toma conta das esquinas que gravitam ao meu redor. Pacientemente, todo dia ele bate suas patas na minha porta e espera que, uma hora ou outra, eu apresente minha renúncia. Tem dias que ouço sua risada macia que escorrega por debaixo da porta quando ele vai embora… Meio que esse vagabundo sabe que é uma lei do universo que nenhuma pedra resiste a força de qualquer tipo de mar, mesmo o mar cujo sargaço é o fel.

Talvez, quem sabe, resta-me um tipo de resta 01 onde sói acontecer sobre mim um futuro do presente como são todos os futuros do presente desses bilhões de gente, desses pequeninos filhos da puta assentados nessa tenra vida em eterno mute… Vida entregues a um balé onde a coragem tem passadas lentas e tropegas.

Será que é isso mesmo que resta a todos nós?

Wake from your sleep

The drying of your tears

Today we escape

We escape

Nem sol e tampouco uma madrugada.

Apenas uma inebriante corrida maluca dentro de bólido a girar sem parar, numa pista oval no meio do Wyoming. E do lado de fora desse autódromo, milhões de dados que geram bilhões de informações que gamificam uma vida gaseificada e sem graça.

Uma vida vegana e Coca Diet.

Por esses dias ouvir dizer que meu querido Adelson apertou o gatilho e abriu o parachute.

Será ?

Deve ser o chatGPT ou o deepseek alucinando…

Penso de novo em tudo que já vi e no que virá nesses mais de trezentos dias mortíferos e fico cansado. Fico tão cansado como deve ficar o Perú Sadia consciente do seu destino.

Paro, bebo um café com toddy, declaro uma ou outra variável nesse meu hobby noturno e meu olho vai lá, mais e mais tarde, no gélido tempo do sol a pino e da hora do meu afogamento diário em prol dos boletos…

E por mais que não queira esse meu escrutínio em forma de olhar — ele é mais forte que eu, tão forte como essa jocosa vontade para com as palavras escritas —  ele consegue cheirar a mortandade desse esfomeado bolor que emana desse labirinto dessas baias brancas em compensado naval.

Nenhuma rosa Adelson, nenhuma pétala Monet ou galho de Milton Santos e muito menos os espinhos de Mishima.

Só vejo existências planilhadas e que não sentem nada apesar dos risos, das fotos e de todo esse Yoga tóxico.

Que Deus e o Diabo salvem minha cabaça e meu orì desses trezentos e tantos dias de pura putrefação de ganância e egolatria.

E nesse cerco, porque o que ocorre é isso, rogo que essas minhas multidões de amigos em forma de miolo e contra capa, continuem a dançar comigo.

Eu já sou velho demais pra saber que só eles — e minha mulher e mais dois amigos e meio e 1 7/8″ de amigas —  é que amam a pessoa dentro da pessoa que escondo e soterro… Que escondo e soterro debaixo do aterro de todas as máscaras de oshiroi que visto antes de sair de casa, da cama, das telas e enfrentar esse escabrosa cristandade à céu aberto.

Talvez a maior razão nesse jogo de desrazão, durante essas trezentas côvadas de dias, seja apenas isso: procurar esconder a si sem fugir de si  — sem dó e sem pudor — preserverando o sal da terra da gente, principalmente diante desses sorrisos de vidas vulgatas de metas smarts que não levam porra alguma.

Feliz 2025

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *