xicara azul

essa xícara de café
é meu sorriso severo 
em mais uma selvagem noite infinita,

enquanto tento tatear
todos esses escombros da máquina partida
percebo que meus cabelos,
já grisalhos como o de muitos,
agora florescem rubros,

em chamas.

e nessa calmaria,

da porta fechada
e rua transbordando moscas
eu relembro que meus dias mais inesquecíveis
foram quando a minha bussóla
era a dança do encontro.
quero encontrar sem querer,
o que e quem
talvez e todavia
cru e cozido
PRECISA -SE
dos vadios pragmáticos
e dos altivos derrotados
colo e carinho
mãos e beijos que amolem 
meu coração taciturno
quero ele
quero ela
quero toda essa multidão
que ainda não deixou desbotar
o azul em suas vidas

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