Um país sem seu equilibrista da canção

Hoje foi embora, descansar, o compositor Aldir Blanc. Numa dessas injustiças da vida, poucos sabem que as maiores canções de Elis Regina e, principalmente do João Bosco, seu maior parceiro, são desse genial e generoso carioca.

Da esq. p/a direita, os inseparáveis Bosco e Blanc

Parece que esse país vivencia um tempo de tanta desesperança, tempo tão sombrio que até mesmo a “esperança equilibrista” ficou cansada demais de nós.

Fica a obra desse grande vivente. Mas o que isso significa ?

Texto do ensaísta Francisco Bosco, sobre a doença do Aldir Blanc

Fiquemos então com uma de suas canções mais conhecidas, “O bêbado e a Equilibrista”, imortalizada por Elis Regina

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar

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